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Brasil no Fuorisalone: 25 peças exibidas na mostra Temporal em Milão 2023

Exibição da Meu Century no Fuorisalone 2023 em Milão | Foto: Divulgação

O Fuorisalone é o aguardado evento paralelo ao Salão do Móvel de Milão, realizado de 17 a 26 de abril, e a presença brasileira vem marcante nesta edição.

São dois espaços na Università degli Studi di Milano onde se encontra o que há de mais novo no design made in Brazil. Sob os arcos do espaço Portico Richini, fica o showroom que exibe 50 peças de móveis, cerâmica, iluminação, rochas ornamentais e artesanato, que se destacaram pela inovação em design, em funcionalidade, no conceito ou por apresentar soluções sustentáveis em sua produção.

Já no pátio central da universidade, o Cortile d’Onore, uma instalação esférica oferece estímulos sensoriais para que o visitante possa apreciar a exposição principal. A mostra brasileira é promovida pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), com curadoria do fotógrafo e arquiteto Bruno Simões, além de apoio do Consulado-Geral do Brasil em Milão.

Temporal

Bruno Simões elegeu o tema Temporal e selecionou produtos que aliam sustentabilidade e criatividade. O conceito se inspira na ideia de que o design precisa se conectar e responder ao seu tempo – o presente -, em um momento no qual as questões estão cada vez mais direcionadas ao amanhã.

O termo “temporal”, por outro lado, também representa a agitação do ar, acompanhado de chuva ou mesmo de uma tempestade. O design brasileiro contemporâneo passa por um processo de ressignificação a partir de um temporal que reinicia um ciclo, abrindo espaço para uma nova corrente de técnicas, formas e inspirações.

Materioteca

O espaço brasileiro conta ainda com uma materioteca, revelando novos materiais sustentáveis desenvolvidos pela indústria nacional. A ideia é colocar a matéria-prima como o ponto de partida para inspirar designers e marcas. Os materiais são diversos, de fonte renovável, reciclados e ressignificados.

O propósito é aproximar o mercado internacional dos avanços brasileiros por toda a cadeia do design para estimular novos projetos e parcerias que levem adiante a união entre desenvolvimento sustentável e produção autoral. As peças ilustram esse objetivo pela forma que repensam a temporalidade de um produto, em aspectos materiais, mas também culturais.

Confira agora uma seleção de 25 peças presentes na mostra Temporal.

Poltrona Jumbo, de Tiago Curioni para Mestre Artesão

Jumbo faz jus ao nome com suas proporções maximizadas e ao mesmo tempo generosas, arredondadas, amigáveis. Ela integra a nova coleção de produtos desenhada por Tiago Curioni para a Mestre Artesão, que aplica uma combinação de materiais nobres em produtos pensados para o dia a dia e a convivência, seja na cidade, no campo, ou na praia.

Cerâmicas para chá O Peixe Morre Pela Boca, do Estúdio Bia Rezende

Ditados populares é a primeira coleção de porcelanas do Estúdio, que resgata o ritual de sentar-se à mesa e estar presente para esse momento. As frases que inspiram as peças tornam a proposta ainda mais divertidas. Açucareiros, bules e outras peças são produzidas em porcelana com detalhes revestidos em ouro. O desenho de um peixe se transforma em bule e açucareiro, com nadadeiras que viram pegadores ou caudas que se tornam alças. No açucareiro, o anzol é a colher – feita a mão por Nara Ota.

Poltrona Jumbo, de Tiago Curioni para Mestre Artesão, e cerâmicas para chá O Peixe Morre Pela Boca, do Estúdio Bia Rezende | Fotos: Divulgação
Poltrona Jumbo, de Tiago Curioni para Mestre Artesão, e cerâmicas para chá O Peixe Morre Pela Boca, do Estúdio Bia Rezende | Fotos: Divulgação
Cadeira Bolotas, Studio Massa

A peça amplia a linha de mesmo nome, que já conta com banco e aparador. O nome da peça e coleção vem do acabamento boleado da madeira, que acaba se destacando nas laterais do assento e do encosto. A estrutura é em madeira maciça, com assento e encosto que podem ter diversas combinações de cores e acabamentos.

Espelho Aro, Leandro Garcia

O designer cria com simplicidade e sofisticação suas peças, como os espelhos de mesa da Coleção Aro.  Eles estão entre as peças selecionadas para participar da mostra brasileira Temporal, na Università degli Studi di Milano, como parte do evento Design Re-Evolution.

Cadeira Bolotas, do Studio Massa, e Aro de Leandro Garcia | Fotos: Divulgação
Cadeira Bolotas, do Studio Massa, e Aro de Leandro Garcia | Fotos: Divulgação
Banco Sertão, Patrick Afornali

A peça carrega a inspiração no semiárido da Caatinga, que se apresenta na forma clara, calcária, com tramas manuais que o compõem. As texturas se unem para espelhar o solo sertanejo tocado e transformado pelo sol. A textura fresca da madeira se une à temperatura quente do tramado.

Banco Pênsil, Etel Carmona

Com design original de 1993, o banco é compacto, elegante e inusitado. O destaque fica por conta da malha em madeira que torna o assento flexível, elaborada a partir de pequenos recortes do material.

Banco Sertão, de Patrick Afornali, e banco Pênsil da Etel | Fotos: Divulgação
Banco Sertão, de Patrick Afornali, e banco Pênsil da Etel | Fotos: Divulgação
Conjunto Bouman, da Mesas Mob Design

As mesas-bancos aliam tecnologia e estética apurada, formadas pela junção de aços tubulares que definem um único elemento. São utilizadas peças usinadas com fixações diferenciadas em alumínio na composição.

Mono, de F.Studio

O substantivo Mono faz uma referência lúdica a um grupo de primatas ou pode remeter ao adjetivo monocromático. Em alumínio com pintura eletrostática, o trio de mesas é leve e desmontável. Por serem facilmente agrupadas uma sobre a outra, abrem possibilidades de usos e de disposição do conjunto no espaço. Uma curiosidade é que o desenho surge da busca pelo estúdio em sintetizar o uso do material com eficiência, a partir do estudo das dobras de materiais metálicos.

Conjunto Bouman da Mezas Mob Design e Mono, do F Studio Design | Fotos: Divulgação
Conjunto Bouman, da Mezas Mob Design e Mono, do F.Studio Design | Fotos: Divulgação

Poltrona Sucuri, Érico Gondim

Interativa e modular, a peça autoral tem como referência a cobra que habita o imaginário coletivo brasileiro – e o fato de que ela captura sua presa no “abraço”. A extrema mobilidade é fonte de inspiração, representada no robusto trançado em palha de carnaúba que envolve a estrutura retilínea. Ele exerce um papel estético e funcional, operando como braço e encosto, abrindo-se à interação com o usuário em um corpo-objeto híbrido. As bases construtivas da peça vêm do mobiliário vernacular nordestino, com terminações sofisticadas em latão escovado e assento confortável. Todos os componentes são desmontáveis para facilitar produção e transporte.

Cadeira Caré, Leonardo Ferreira Guimarães

A peça rendeu ao designer cearense um destaque no Prêmio Design MCB de 2021, como o segundo lugar na categoria Mobiliário. Multiúso, a cadeira é desenvolvida a partir de um sistema de peças de madeira torneada encaixadas, sem colagem entre elas. Os encaixes são mantidos no lugar quando o conjunto é comprimido pela corda náutica tracionada.  O assento em couro e camurça é reforçado pelo forro de lona locomotiva.

Poltrona Sucuri, de Erico Gondim Design, e cadeira Caré, por Leonardo Ferreira | Fotos: Divulgação
Poltrona Sucuri, de Érico Gondim Design, e cadeira Caré, por Leonardo Ferreira | Fotos: Divulgação
Totem, Estúdio Rain

A Totem é um incensário para placas de breu, resultante de uma pesquisa sobre resinas naturais brasileiras realizada por Ricardo Innecco e Mariana Ramos, que formam o Estúdio Rain.

Cadeira Euforia, Gabriel Freitas

A inspiração da cadeira Euforia foi o sentimento geral com a reabertura pós-pandemia. A linguagem visual remete ao Art Déco, traçando um paralelo entre o momento atual e o início do século 20, que também viveu a empolgação de mudanças sociais, culturais e tecnológicas. O encosto da cadeira é feito de material produzido a partir de PP reciclado, em um processo open source e sustentável chamado Precious Plastic, desenvolvido na Holanda. Ao mesmo tempo, a fabricação otimizada e a estrutura de aço são pensadas para garantir resistência e permitir o empilhamento, garantindo versatilidade e funcionalidade para a peça.

Luminária Totem do Estúdio Rain, e cadeira Euforia de Gabriel Freitas | Fotos: Divulgação
Totem do Estúdio Rain, e cadeira Euforia de Gabriel Freitas | Fotos: Divulgação
Cadeira Enxada, de Pedro Luna em collab com Empório Beraldin

O móvel surge do método de montagem de uma enxada, que utiliza cabos da própria ferramenta substituindo a cunha de madeira por uma de latão polido. A peça foi selecionada para o 35º Prêmio Design MCB e integra o Interni Magazine Design Re-Evolution, durante o Fuorisalone de Milão 2023. Na collab, as criações de Pedro Luna recebem revestimentos em tecido ou couro do Empório Beraldin – e, nesta versão inédita, foi aplicada a pele de Pirarucu.

Cadeira enxada, uma collab da Molu Design com Empório Beraldin | Foto: Divulgação
Cadeira enxada, uma collab da Molu Design com Empório Beraldin | Foto: Divulgação
Mesa Fan, Roberta Rampazzo

A mesa Fan é a primeira peça de uma coleção desenvolvida em mármore, produzida pela designer em parceria pela Pemagran.

Coleção Íris, de Furf Design Studio e Mush

Com um toque de futurismo, biofilia e inspiração, o Furf Design Studio se uniu à Mush, startup fundada por cientistas, para desenvolver uma coleção de produtos que proporcionam conforto termoacústico potencializado pela biotecnologia. Os revestimentos são feitos com micélio e resíduos da agroindústria brasileira, formando a coleção Iris. A linha propõe uma abordagem mais científica, poética e otimista para o design de interiores, destacando uma alternativa sustentável para a construção, com itens que gerem impacto positivo em larga escala.

Mesa Fan de Roberta Rampazzo, e revestimento painel acústico Íris, da Furf Design em collab com Mush Eco | Fotos: Divulgação
Mesa Fan de Roberta Rampazzo, e revestimento painel acústico Íris, da Furf Design em collab com Mush Eco | Fotos: Divulgação
Mesa Pampa, Fabiano Salbego

A mesa de centro representa a geografia e flora dos Pampas, apoiando-se sobre uma base em madeira carbonizada, produzida com a técnica milenar japonesa Shou Suji Ban de carbonização. Além de dar acabamento e proteção à madeira, faz um alerta para o espectro de destruição que paira sobre o bioma. O tampo radiante e vivo, em rocha natural, é produzido com maquinário de alta tecnologia e realça a beleza do Pampa. A peça secundária traz as suas coordenadas geográficas usinadas em madeira.

Mesa Op, de Luisa Attab

 

A mesa de centro é inspirada na arte concreta brasileira e brinca com a desestabilização do olhar, por meio dos jogos ópticos aplicados à uma geometria rígida e precisa. A estrutura da mesa é metálica, preenchida com peças cortadas uma a uma, de madeira sucupira ebanizada.

Mesas Pampa, de Estudio Fabiano Salbego, e Op, de Luisa Attab | Fotos: Divulgação
Mesas Pampa, de Estudio Fabiano Salbego, e Op, de Luisa Attab | Fotos: Divulgação
Balanço Cuia, André Ferri

A peça propõe força e delicadeza em seu equilíbrio, utilizando em sua produção a madeira jequitibá e o aço carbono na sustentação.

Pendente Horizon, Accord

Produzido em madeira e acrílico, o pendente traz formas delicadas e orgânicas, conferindo leveza e ao mesmo tempo uma personalidade marcante.

Balanço Cuia, de Andre Ferri Atelier, e pendente Horizon da Accord Iluminação | Fotos: Divulgação
Balanço Cuia, de Andre Ferri Atelier, e pendente Horizon da Accord Iluminação | Fotos: Divulgação
Pendente Tessá, Munclair

A luminária Tessá celebra a forma concêntrica de um fluxo de energia ondulado e contínuo ao se propagar pelo espaço. A superfície côncava brilhante reflete a luz de forma limpa e difusa.

Luminária venezia, Geo Cerâmica

A luminária de chão faz parte da linha Italia e tem design de Maurício D’Avila. A moderna cúpula cônica forma uma verdadeira escultura iluminada, que oferece o reflexo perfeito da luz na cerâmica.

Pendente Tessá, de Munclair Brasil, e luminária Venezia da Geo Cerâmica | Fotos: Divulgação
Pendente Tessá, de Munclair Brasil, e luminária Venezia da Geo Cerâmica | Fotos: Divulgação
Coleção Manifesto, Century

A linha Sublime (foto) é uma das três que formam a coleção Manifesto, de Daniel Simonini para a Century. Ela nasce da experimentação com formas orgânicas, resultando em poltronas com uma silhueta em concha, que abraçam o corpo numa experiência de conforto e relaxamento.

Poltrona Cuco, Plataforma4

A peça tem autoria do coletivo feminino de design formado por Amélia Tarozzo, Camila Fix, Flavia Pagotti Silva e Rejane Carvalho Leite. Sua base oculta giratória confere dinamismo, além do desenho da concha com linhas curvas e contínuas.

Sublime, da Meu Century, e poltrona Cuco, da Plataforma 4 | Fotos: Divulgação
Poltronas da linha Sublime, da coleção Manifesto de Daniel Simonini para Studio Century, e poltrona Cuco, da Plataforma 4 | Fotos: Divulgação
Cadeira Gi, Estúdio Prosa

A peça surgiu em forma de provocação: “simples demais para ser verdade” foi a frase que serviu de base para o seu desenvolvimento. A simplicidade intriga o olhar, que busca encontrar o que está faltando, diante da ausência de elementos estruturais tradicionais. O segredo da execução é a previsão do comportamento natural da madeira, posicionando os veios do assento de forma a curvarem para cima, liberando as pernas frontais para acompanharem o movimento. As curvas de bordas e do encosto são esculpidas a mão, apresentando declinações suaves e fluidas que remetem a formas orgânicas encontradas na natureza.

Cadeira Tereza, Danilo Vale

O móvel resgata a técnica manual de tramar tiras de couro, muito difundida na cultura nordestina brasileira, valorizando o saber fazer ancestral e imprimindo um aspecto contemporâneo ao aplicá-la a uma estrutura de aço carbono.

Cadeira Gi, do Estúdio Prosa, e cadeira Tereza de Danilo Vale | Fotos: Divulgação
Cadeira Gi, do Estúdio Prosa, e cadeira Tereza de Danilo Vale | Fotos: Divulgação
Rochas Ornamentais

Também no Fuorisalone o visitante encontra o Stone Pavilion, intervenção artística criada pela arquiteta Vivian Coser, e a realização do projeto It’s Natural – Brazilian Natural Stone, que incentiva as exportações de rochas ornamentais nacionais, realizado pelo Centro Brasileiro dos Exportadores de Rochas Ornamentais (Centrorochas) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

O pavilhão brasileiro é um espaço disruptivo na cidade usando plantas com DNA verde-amarelo, em composição com oito materiais distintos, de seis empresas brasileiras, e com foco na promoção da geodiversidade nacional e diferentes possibilidades de aplicação. Além do quartzito, rocha semi-preciosa e mármore dolomítico são apresentadas no Fuorisalone. No Stone Pavilion, as rochas são expostas em formas de chapas e peças de design.

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