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Studio Objeto: Lígia Casas revela encontro da poética com expertise em desenvolvimento de produtos

O básico soma, é indispensável. Com esta premissa, o Studio Objeto fortalece seu DNA em desenvolvimento de produtos para consumidores conscientes e bem informados, que desejam ter uma vida descomplicada. Em nova fase, o projeto da arquiteta Lígia Casas ganha novo endereço que reflete a proposta original dos produtos. O showroom fica na Vila Madalena, um dos bairros que concentram o maior número de estúdios criativos em São Paulo. É com esta atmosfera que poderão ser apreciados todos os detalhes e histórias das peças, em visitas agendadas. “Sou quase o anti-design. Os objetos são funcionais, utilitários e mais arquitetônicos”, afirma.

Formada em arquitetura e urbanismo, Lígia Casas atuou na área de arquitetura de interiores em Madri, Barcelona e, depois, Vancouver. Voltou ao Brasil em 2009, para integrar o time do Studio Arthur Casas, como diretora da equipe de decoração. Em 2016, enquanto assumia o departamento de licenciamentos e royalties da empresa, que desenvolvia produtos para diversas marcas no mercado nacional e internacional, deparou-se com desenho de peças criadas especialmente para clientes do Studio, e que não eram comercializadas. Foi quando Lígia encontrou uma oportunidade: móveis que se encaixam em qualquer interior e que valorizam a funcionalidade do espaço. Acionou seu bom relacionamento com a indústria para dar início à marca.

Abajour Sinatra (Arthur Casas, 2019) em ceramica queimada e cúpula em linho. As formas lembram seixos, exagerando em sua expressividade, com tom e textura arenosa especificos que trouxeram o desafio de encontrar o parceiro ideal para produzir. Ao lado, mesa Tangran (Arthur Casas, 2018) em MDF cru e revestimento em camurça, inspirada pelo jogo homônimo, composta de formas geométricas que, unidas, formam figuras. A ideia é fazer o mesmo com os itens da linha, composta por mesas e bancos. | Fotos: Divulgação
Abajur Sinatra (Arthur Casas, 2019) em cerâmica queimada e cúpula em linho. As formas lembram seixos, exagerando em sua expressividade, com tom e textura arenosa específicos que trouxeram o desafio de encontrar o parceiro ideal para produzir. Ao lado, mesa Tangran (Arthur Casas, 2018) em MDF cru e revestimento em camurça, inspirada pelo jogo homônimo, composta de formas geométricas que, unidas, formam figuras. A ideia é fazer o mesmo com os itens da linha, composta por mesas e bancos. | Fotos: Divulgação

Além dos móveis, desenvolveu também objetos desenhados pelo arquiteto, ainda no papel. O Studio Objeto nasceu então do envolvimento profundo com essas peças, do empenho da empresa em desenvolver a produção de cada produto e na incansável busca da excelência em tudo que faz. Confira esta história na entrevista com Lígia Casas, a seguir.

DW!: Como você definiria a proposta do Studio Objeto?
Lígia Casas: O olhar especial para a produção é que nos define como empresa. Processo, sistema, planejamento e muita persistência nos fazem chegar à qualidade que desejamos. Nossos móveis e objetos, além de serem duráveis, valorizam o traço autoral e a confecção impecável sem a intenção de ser pretensiosos. Buscamos esconder a complexidade construtiva e a tecnologia envolvida nos processos para que a simplicidade prevaleça. Assim, o Studio Objeto compõe ambientes com discrição, abertos para receber o toque pessoal de cada um.

DW!: Quando esta história começou?
Lígia Casas: O Studio objeto surgiu da inquietude e não de um plano. Eu diria que da ansiedade de ver concretizado aquilo que até então só existia como projeto. Em 2014, um pequeno grupo de designers e arquitetos formado dentro do Studio Arthur Casas se uniu para desenvolver produtos assinados pelo arquiteto. Concluímos um portfólio com mais de 200 peças, entre móveis, objetos, joias e roupas, licenciadas para grandes marcas do mercado nacional.

O Studio Objeto vem da consolidação desta equipe e de sua sinergia com a produção, seja ela na indústria ou junto a artesãos, e do desejo de estabelecer parcerias com outros criadores. Nossa essência é o trabalho colaborativo e justo com designers, especificadores e fabricantes, afirma Lígia.

DW!: Como foi o processo de realização das primeiras peças?
Lígia Casas: Uma história interessante é que Arthur havia desenhado xícaras para uma empresa belga voltada à comercialização de objetos – no entanto, em razão da dificuldade de execução das peças, seu custo elevado de desenvolvimento, os desenhos não foram aprovados. Nessa época eu trabalhava no escritório do arquiteto, licenciando produtos para outras empresas. E o contato com aquelas indústrias foi crucial para ativar a ideia de tentar produzir, além das xícaras, outros tantos projetos traçados em papel manteiga e esquecidos. As xícaras foram finalizadas com êxito, e demos sequência a novos desafios. As peças, sempre muito funcionais e sóbrias, foram criadas para os projetos de arquitetura do Arthur porque era difícil encontrá-las no mercado. Nosso trabalho é executá-las de uma forma elaborada, sem que percam sua simplicidade aparente.

Banco Mies (Arthur Casas, 2008) em madeira tratada, persintas de couro, almofadas em linho natural mescla costuradas à mão. Uma homenagem tropical à icônica Barcelona de Mies van der Rohe. Ao lado, o banco Emiliano (Arthur Casas, 2008) é uma das peças mais representativas do portfólio do Studio Objeto, desenhado para suítes do hotel Emiliano. O assento em tela Acqua revela o material em tear manual em trama italiana | Fotos: Divulgação
Banco Mies (Arthur Casas, 2008) em madeira tratada, persintas de couro, almofadas em linho natural mescla costuradas à mão. Uma homenagem tropical à icônica Barcelona de Mies van der Rohe. Ao lado, o banco Emiliano (Arthur Casas, 2008) é uma das peças mais representativas do portfólio do Studio Objeto, desenhado para suítes do hotel Emiliano. O assento em tela Acqua revela o material em tear manual em trama italiana | Fotos: Divulgação

DW!: Quais os desafios para tirar do papel desenhos que exigem tanta excelência para serem materializados? O mercado e a indústria estão preparados?
Lígia Casas:
Os longos caminhos de desenvolvimento não são necessariamente evidentes: nossos projetos podem levar anos para sair do papel. Não é fácil encontrar parceiros que aceitem a complexidade desses desafios, que exigem investimento financeiro e empenho de equipes. Muitas vezes, temos que mudar uma filosofia de gerações dentro das fábricas e indústrias – por isso, valorizamos quem entende nossa busca estética e concepção de qualidade. Ver desenhos materializados e dissipar a beleza do trabalho dos designers na vida dos clientes faz tudo valer a pena.

DW!: O Studio Objeto nasceu originalmente para fazer licenciamentos e zelar pelas boas práticas na relação entre designers, fabricantes e lojas. Como funciona esta dimensão de seu trabalho?
Lígia Casas: Hoje realizamos licenciamentos, produção (desenho e acompanhamento de prototipagens) e comercialização. É parte de nosso escopo fazer a triangulação de acordos e contratos da relação do designer, fábrica e loja, além de garantir o controle sobre vendas. Licenciar produtos significa, entre outras atividades, garantir que o produto e desenho estejam protegidos contra plágios de qualquer material, 
acabamento e dimensões; que todo o processo de desenvolvimento seja aprovado pelo criador (designer); e que o designer esteja recebendo pelos seus direitos de autor. Cada produto desenvolvido pelo Studio Objeto traz atestados de que é único, numerado com placa de assinatura e vem acompanhado de certificado de autenticidade. Isso garante que o consumidor está comprando uma peça verdadeira, catalogada, que carrega todo o cuidado e expertise da nossa equipe. São móveis e objetos autorais com design em escala industrial que vão durar, visualmente e na qualidade, uma vida.

Acompanhar o produto desde os primeiros traços e valorizar o trabalho do designer é nossa meta: cuidar de cada detalhe, materializar exatamente aquilo que foi pensado e fazer com que o designer se beneficie dos resultados, conta Lígia.

Banco João (Studio Objeto, 2022), batizado com o logo do studio que atravessa o encosto baixo. Esculpido em uma única tora de madeira, é despretensioso e expressivo. Ao lado, cestos Nani (Arthur Casas, 2020), desenvolvidos em parceria com Nani Chinelatto, especialista em tramas de tear manual e no desenvolvimento de fios especiais | Fotos: Divulgação
Banco João (Studio Objeto, 2022), batizado com o logo do studio que atravessa o encosto baixo. Esculpido em uma única tora de madeira, é despretensioso e expressivo. Ao lado, cestos Nani (Arthur Casas, 2020), desenvolvidos em parceria com Nani Chinelatto, especialista em tramas de tear manual e no desenvolvimento de fios especiais | Fotos: Divulgação

DW!: Quais os próximos passos do Studio Objeto?
Lígia Casas: O crescente envolvimento da equipe nos processos produtivos e criativos trouxe o desejo de ter um espaço para apresentar protótipos e mostrar as etapas de desenvolvimento dos produtos, com visitas agendadas e atendimento personalizado. Assim nasceu o nosso showroom na Vila Madalena e, da mesma forma orgânica, intensificamos a comercialização dos projetos. Agora iniciamos uma nova etapa, que já parte de uma história sólida e da paixão pela produção, do desenho à fabricação.

Curtiu a entrevista? O Studio Objeto é uma das marcas expositoras que participam oficialmente da DW! Semana de Design de São Paulo, que acontece de 14 a 24 de março de 2024. Saiba mais no site studioobjeto.com.br e acompanhe as novidades no Instagram da marca.

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