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Circuito de prédios históricos é novidade na DW! SP 2024: conheça locais com atrações

Arquiteturas contam histórias e, no centro expandido de São Paulo, não é diferente: ali, os prédios podem trazer marcados em suas estruturas as raízes imigrantes, o dinheiro do café, o olhar visionário de novos e antigos modos de fazer e viver, entre outras tantas memórias e características. Este panorama que mescla diferentes tempos e visões sobre São Paulo conquista lugar de destaque na DW! Semana de Design de São Paulo.

De 14 a 24 de março de 2024, a 13ª edição do festival abraça diversas regiões da capital paulista. No Distrito Centro, Paulista e Higienópolis, surge um novo circuito de prédios históricos formado por construções emblemáticas que conecta feiras criativas, exposições de design, arena de conteúdo, intervenções artísticas e diversos outros movimentos e eventos. Por isso, a DW! conta um pouco da trajetória dos icônicos edifícios Martinelli, Itália, Comandante Linneu Gomes, Basilio 177, Misericórdia e Renata; galerias Metrópole e Zarvos; e o Casarão Doimo.

Edifício Martinelli

2024 marca o centenário da pedra fundamental do Edifício Martinelli, próximo ao Vale do Anhangabaú, que foi o mais alto arranha-céu de São Paulo até 1946 | Foto: Wilson da Silva Vitorino/ Wiki Commons

Até a década de 1920, São Paulo não tinha edifícios altos e, aos olhos de hoje, era uma cidade modesta com cerca de 600 mil habitantes, segundo a SEADE- Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados. Entre os moradores, o imigrante italiano Giuseppe Martinelli – que faria fortuna no país – tinha planos de mudar essa característica da cidade: iniciar a transição de São Paulo para ser a metrópole dos arranha-céus.

Em 1924, o Comendador Martinelli daria início à construção do edifício que leva seu sobrenome e que reinaria, até 1946, como maior e mais alto arranha-céu do País. Era o exato ano em que o primeiro edifício com mais de dez pavimentos foi inaugurado – o Sampaio Moreira, que conta com 12 andares e 50 metros de altura.

O Edifício Martinelli foi inaugurado de forma inacabada em 1929, com 12 andares, que seriam acrescidos de outros 15 e mais três pavimentos no ático até sua conclusão, em 1934. O projeto é do arquiteto húngaro William Fillinger (1888-1968), da Academia de Belas Artes de Viena. Mas em determinado momento, foi Giuseppe quem capitaneou a obra, acrescentando andares e minúcias ao seu sonho monumental, totalizando 105,65 m de altura e 30 andares.

Fotos retratam o Edifício Martinelli, na década de 1920 (à esq.),  durante sua construção, e nos anos 2010 | Fotos: Acervo Edifício Martinelli e Daiana Dalfito

Martinelli: concreto, luxo, ruína e renascimento

Construído em concreto armado e alvenaria de tijolos, o edifício contava com programa de uso múltiplo: escritórios, apartamentos, lojas, quartos de hotel, bares e cinema, além da (antiga) residência de Giuseppe no topo da edificação. A composição é tripartida em embasamento, corpo e coroamento adornados com granito, uma falsa mansarda de ardósia e o revestimento que mistura vidro moído, cristal de rocha, areias muito puras e pó-de-mica – o que resulta na coloração rosada e no aspecto brilhante das fachadas.

O Martinelli, ainda hoje, marca a paisagem do Centro em conjunção com o edifício Altino Arantes (1947) e passou por décadas de glória e decadência. Com acabamentos luxuosos – portas de pinho de Riga, escadas de mármore de Carrara, vidros, espelhos e papéis de parede belgas, louça sanitária inglesa, elevadores suíços – sediou o Hotel São Bento (precursor do Othon Palace) e o Cine Rosário, recebeu visitantes ilustres, foi sede de partidos políticos e casas noturnas e estampou o verso da cédula de 500 mil Cruzeiros, nos anos 1990, ao lado de Mário de Andrade.

Vendido em 1933 para o governo da Itália, espoliado como dívida de Guerra em 1943 e leiloado em 1944, cruzou com glamour os anos 1950 e, na década de 1960, entrou em decadência, sendo desapropriado e restaurado pela Prefeitura de São Paulo a partir de 1975. Reinaugurado em 1979, passou a abrigar repartições públicas e comércios. Na década de 1980, o Martinelli teve sua volumetria e fachadas tombadas pelo CONPRESP (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) e pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo). Agora, parte de seu espaço será concedido à iniciativa privada para ações de lazer, cultura e gastronomia.

Mulheres quilombolas levam criações em capim dourado e buriti à mostra Jalapoeira Dourada, promovida pelo Instituto A Gente Transforma, no térreo do Edifício Martinelli, durante a DW! SP 2024 | Foto: Divulgação

Na DW! SP 2024: Martinelli + Rosenbaum + A Gente Transforma

A visitação ao Martinelli será retomada durante a DW! SP 2024, com diversas ocupações. Duas delas são a Feira na Rosenbaum (@feiranarosenbaum) e o Instituto A Gente Transforma (@agentetransforma), de 14 a 24 de março, das 11h às 20h.

Na Feira, o visitante pode conhecer e comprar produtos de design e arte de dezenas de criativos brasileiros, bem como aproveitar a cena musical, as palestras e as ofertas gastronômicas presentes no evento. Já na programação do A Gente Transforma, um dos destaques é a mostra Jalapoeira Apurada, que reúne trabalhos em capim dourado e buriti de artesãs de três comunidades quilombolas do Jalapão, no Tocantins.

Circolo Italiano (Edifício Itália)

Edifício Itália marca a paisagem da República, no centro de São Paulo, com sua arquitetura moderna | Foto: Renatto de Sousa/ Cortesia Edifício Circolo Italiano

De início, um adendo importante: o Edifício Itália, na verdade, chama-se Circolo Italiano. Muito conhecido por seu terraço que abriga um restaurante e pela vista privilegiada da capital paulista, o Itália reserva, assim como o Martinelli, uma proximidade inconteste com as raízes italianas da cidade.

Ainda um dos dez mais altos do Brasil, com 165 m, o Circolo Italiano chegou a ser o maior arranha-céu de São Paulo. Construído de 1956 a 1965, a história do prédio começa no início do século, com a fundação da comunidade de imigrantes chamada Circolo Italiano. Os terrenos que hoje são ocupados pelo espigão foram comprados pelo grupo nos anos 1920 e sediavam um palacete.

Depois do palacete ser ocupado pela Legião Brasileira de Assistência durante a Segunda Guerra, a posse da propriedade foi reintegrada ao Circolo, mas já era década de 1950 e São Paulo crescia. Agora 2 milhões de pessoas ocupavam a cidade, e havia a necessidade de um projeto que olhasse para o progresso. É nesse contexto que Adolf Franz Heep (1902-78) desenha o prédio que marca o período Modernista da capital paulista.

A volumetria dos 46 pavimentos do edifício é tripartite, ocupando toda a área do terreno, e o térreo tem fachada ativa, que conserva a circulação entre as avenidas São Luís e Ipiranga. A segunda parte de seu corpo construtivo é formada por duas edificações com oito pavimentos cada uma, implantadas nas empenas vizinhas e que se contrapõem à torre propriamente dita, marcada pelos brises em alumínio. Para arrematar, a estrutura de concreto aparente é combinada aos blocos de vidro na fachada e, sobre o belvedere, está Il Cavallo Rampante, escultura em bronze desenvolvida por Percile Fazzini (1913-87) e instalada no local em 1971, como presente do governo italiano.

O BoomSPDesign é parceiro da DW! SP desde o seu lançamento. Em 2023, o fórum foi realizado no Edifício Copan (foto); este ano, o endereço é o Edifício Itália | Foto: Acerto DW!

Sem dúvidas, desde que saiu da prancheta de Heep, o Circolo Italiano tornou-se um dos símbolos da arquitetura moderna em São Paulo e, desde 1992, é tombado pelo DPH (Departamento de Patrimônio Histórico) da capital. Em pleno funcionamento, suas dependências abrigam escritórios, agências, o Circolo Italiano, um restaurante, comércios e uma galeria de arte.

No festival, com o BoomSPDesign

De 18 a 24 de março, o BoomSPDesign (@boomspdesign) abre como um dos eventos âncora da DW! SP 2024. Com inscrições gratuitas, o Fórum Internacional de Arquitetura, Design e Arte ocupa o Edifício Itália e celebra os 100 anos de imigração italiana. Entre as presenças, o arquiteto italiano Simone Micheli é homenageado como Designer do Ano. Mas não só: o BoomSPDesign leva ao marcante edifício a exposição Design 2×2, instalações artísticas, ações de marcas e conversas.

Edifício Comandante Linneu Gomes

Imagens da revista Acrópole, de 1966, mostram duas perspectivas do Edifício Comandante Linneu Gomes, assinado por Oswaldo Bratke | Fotos: Reprodução Acrópole

Também na São Luís, próximo ao Itália, está o Edifício Comandante Linneu Gomes, projetado na década de 1950 por Oswaldo Arthur Bratke (1907-97) e finalizado em 1961. O projeto Modernista para o edifício de escritórios com 22 pavimentos foi tombado em 2018, pelo CONPRESP, junto à sede da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, também desenhada por Bratke, que teve sua obra marcada pelos projetos residenciais.

A base da construção ocupa todo o terreno e o acesso se divide em dois planos: à direita, fica a rampa que leva ao estacionamento no subsolo; à esquerda, está a entrada elevada em relação à rua. Bratke desenhou um volume escalonado, com estrutura de concreto, revestida por pastilhas cerâmicas e pontuado pela caixilharia em alumínio.

O Linneu é um marco entre os edifícios dedicados ao uso comercial na região e, hoje, abriga o Espaço República com ateliês e ambientes expositivos, no 14º andar, uma iniciativa de Philip Taji Houma.

Mais arte na DW! SP 2024

“Quando dois ou mais cursos de água se encontram para formar um rio, dizemos que eles confluem. Dessa união, cada um dos afluentes passa a integrar uma mesma corrente que, mais forte, é capaz de criar e modificar os caminhos por onde passa.” Essa é a ideia da primeira exposição da TatoColetivo (@tatocoletivo), Confluências, que tem lugar no 14º andar do Edifício Comandante Linneu Gomes. A exposição está aberta ao público de 15 a 24 de março, com vernissage no dia 14, durante a DW! SP.

São 25 artistas e designers que respondem a questão: ‘Afinal, o que diferencia a arte do design?’. Para isso, a exposição apresentará um espaço expositivo que dialoga com os ateliês e casas de artistas plásticos e designers, espaços singulares de vivências e criação.

Galeria Metrópole

 

 

 

Croqui do Acervo Aflalo/Gasperini Arquitetos mostra o que viria a ser a Galeria Metrópole, na Avenida São Luis, em São Paulo | Imagem: Aflalo/Gasperini Arquitetos

Galeria Metrópole foi projetada pelos arquitetos Gian Carlo Gasperini (1926-2020) e Salvador Candia (1924-91), mas eles não eram sócios ou trabalhavam em conjunto. Ambos participaram do concurso que elegeria o projeto para uma galeria comercial e um prédio de escritórios para o terreno amplo junto à Biblioteca Mário de Andrade, na Praça Dom José Gaspar, ao lado da Avenida São Luís. Em um arranjo incomum, foram convidados a resolver a arquitetura em parceria.

O Conjunto Maximus – batizado posteriormente de Centro Metropolitano de Compras e também conhecido pelo nome de Galeria Metrópole – foi construído de 1959 a 1964 e tem em seu corpo construtivo soluções com alma Modernista. O projeto respeitou o entorno, tornando-se permeável através de galerias com circulações abertas à rua, ligações possíveis entre vias e um diálogo com o ajardinamento da avenida e da praça adjacentes. Esta tipologia moderna da placa de embasamento se antepõe  à torre de escritórios adensada, que se inspira no traço de Mies van der Rohe.

A Metrópole sempre teve como vocação ser um lugar de estar em movimento, assim como São Paulo. O texto de Alexandre Akamine no site Outros Urbanismos, da FAU-USP, indica que

“o centro comercial era um ponto luxuoso nos anos 1960 e começo dos anos 1970, com diversos bares cheios de universitários. O anúncio de lançamento do complexo mostra carros sofisticados e um público elegante nas varandas do prédio. Um texto de anúncio do edifício destacava os 1.200 metros de vitrines, 14 escadas rolantes ‘para subir e para descer’, boate, ‘bar americano e grill room’ e cinema para 1.200 pessoas. Além disso, 80 conjuntos para escritórios servidos por cinco elevadores, 20 mil metros quadrados de lojas e 100 metros de frente para três ruas. As obras, inclusive, estavam acontecendo 24 horas por dia.”

Os anos 60 foram efervescentes mas, como o Edifício Martinelli, a Metrópole sofreu um período de declínio: o da galeria foi, especialmente, nos anos 1980, com o deslocamento de atividades que movimentavam o Centro para outras regiões da cidade. À época, os pontos comerciais foram ocupados por lotéricas e agências de viagem, que acabaram desviando o espaço de sua vocação cosmopolita. A galeria só veria sua potência retomar nos anos 2000, com um primeiro movimento de criativos chegando à região central e o necessário tombamento de seu conjunto – cinema, galeria e edifício.

Design na Metrópole foi um dos eventos do Distrito Centro, Paulista e Higienópolis, na DW! SP 2023. A ação se repete este ano | Foto: Acervo DW!

A Metrópole + DW! SP 2024

Hoje efervescente, a Galeria Metrópole reúne ateliês, restaurantes, cafés, bares, brechós, lojas de design e livrarias, voltando a brilhar graças ao mercado criativo. Não por acaso,  tornou-se um hub de eventos na DW! SP.

Ali, está prevista a ocupação Design na Metrópole – que já fez história na edição 2023 do festival, com marcas e criadores autorais trazendo suas lojas de portas abertas. Nos corredores da galeria, o Senac São Paulo (@senacsaopaulo) promove a intervenção artística EXTRAordinária, que reúne criações de estudantes de arquitetura, design, moda, publicidade, fotografia, animação e multimídia, além de organizar a Arena de Conteúdo Senac com conversas e palestras de docentes e convidados.

A Metrópole também é o local da exposição Um Lugar, que reúne peças de designers contemporâneos propondo variações de uma mesma tipologia – o banco – e materiais, formas e soluções construtivas distintas. De 16 a 24 de março, das 10h às 20h, a mostra está implantada no 3º andar e é realizada por De la Cruz e Estúdio Pedro Luna, com curadoria de Carol Gurgel e consultoria da historiadora e crítica de design Adelia Borges.

Mais uma exposição realizada na galeria durante a DW! SP é a que reúne os projetos vencedores do 25º Prêmio Salão Design (@premiosalaodesign), realizado em 2023 e que marca os 35 anos de história do projeto, lançado em 1988, pelo SINDMÓVEIS – Sindicato das Indústrias da Construção e doMobiliário de Bento Gonçalves (RS). A mostra é aberta ao público e fica em cartaz de 14 a 24 de março, no 2º andar.

Conjunto Zarvos

Fotos antigas registram o Conjunto Zarvos a partir da Rua da Consolação (à esq.) e na esquina entre a Av. São Luís e o início da Rua Xavier de Toledo | Fotos: Acervo Júlio Neves Arquitetura

O projeto do Conjunto Zarvos é do arquiteto Júlio Neves, que também presidiu o IAB (Instituto do Arquitetos do Brasil) e o MASP (Museu de Artes de São Paulo Assis Chateaubriand). Datado do final da década de 1950, o edifício chama atenção pelo desnível de seus acessos: a Rua da Consolação está um andar acima da Avenida São Luís, e a galeria funciona como caminho alternativo, uma rua interna que já foi rodeada de lojas e cafés.

Galeria Zarvos revela alguns dos mais belos detalhamentos internos de um centro de compras do coração de São Paulo, assinados por Jorge Zalszupin (1922-2020). Saltam aos olhos os fechamentos de vidro das lojas com montantes de alumínio e faixas de jacarandá; os desenhos da paginação dos pisos; as escadas metálicas com piso também de jacarandá maciço; os delgados guarda-corpos metálicos; a iluminação e as passarelas que conectam a circulação e a entrada de algumas das 37 lojas do complexo.

Nesta parte no edifício ainda há um nível intermediário, um metro acima da laje das lojas, revelando um balcão com vista para o conjunto formado pela praça Dom José Gaspar e a Biblioteca Mário de Andrade. Nos anos 1960, o espaço era ocupado pelo bar Paddock, conhecido pelos clientes boêmios. Em 1992, a fachada do edifício foi tombada pelo CONPRESP.

Na Galeria tem Paulo Alves Design

O designer Paulo Alves (@pauloalvesdesign) escolheu uma das lojas da Galeria Zarvos para instalar seu amplo showroom. Por ali, acontecem três exposições, rodas de conversas, caminhada noturna pelo Centro, uma homenagem ao designer Maurício Azeredo, com a presença do próprio e oficinas.

Edifício Misericórdia

Edifício Misericórdia, visto de cima e de baixo a partir da Rua Direita, no Centro, é a nova arquitetura a receber o retrofit regenerativo da Somauma | Fotos: Divulgação

O Largo da Misericórdia também fica no Centro Histórico de São Paulo e faz parte de um contexto de comércios e serviços na vida diurna da cidade. Esse ponto da Sé já foi a sede da Santa Casa de Misericórdia, demolida em 1886. Conta-se que, quando transferida para Santa Cecília, levou consigo o primeiro chafariz para uso público do município. Como indica texto das cartografias da 13ª Bienal de Arquitetura de São Paulo, o chafariz foi construído pelo escravo alforriado e arquiteto autodidata Joaquim Pinto de Oliveira, conhecido como Tebas, e inaugurado em 1793.

Hoje, quem passa por ali muito provavelmente ignora toda essa história e tem apenas um vislumbre da cidade em seu passado. No largo ainda perdura o Palacete Tereza Toledo de Lara, inaugurado em 1910 com projeto do arquiteto alemão Augusto Fried (1863-1912), e que hoje abriga a Casa de Francisca. E naquela diagonal encontra-se o edifício, que agora chama-se Misericórdia, com sua discreta entrada na esquina com a Rua Direita.

O prédio fica no lugar antes ocupado pelo Palacete Carvalho, demolido em 1972, e pelo sobrado do lote 10, que contava seis metros de frente e abrigava a Charutaria e Casa Lotérica Nunes, no final do século 19. Com seus 10 pavimentos, foi o último grande edifício construído na Rua Direita, segundo a tese de doutorado Diálogo Rua/Cidade: o caso da Rua Direita em São Paulo (1765-1977), do pesquisador Nelson Leopoldo Braghittoni para a FAU-USP.

Seu projeto sofreu embargos junto à Prefeitura, e a proposta de 1969, com 16 pavimentos, só saiu do papel em 1974, sob a responsabilidade do Escritório Técnico Ramos de Azevedo, Severo & Villares. O desenho foi adaptado para nove andares, mais o térreo com fachada ativa, divididos em 18 conjuntos de 132 m2 cada um. Agora, o endereço vai ganhar mais um capítulo de sua história com Somauma (@somauma.br).

Mapa mostra quatro pontos limite do movimento Seiva e Cidade, organizado por Somauma + Edifício Martinelli, que será ativado durante a DW! SP 2024 | Imagem: Divulgação

Movimento Seiva e Cidade na DW! SP 2024

Seiva e Cidade é o conceito-guia pensado pela Somauma para a 13º DW! SP. Através dele, Somauma e Edifício Martinelli vão inundar o Centro Histórico com arte, design, arquitetura, música, moda, gastronomia e reflexões sobre vida urbana. O percurso cria um quadrilátero marcado por quatro pontos-chave: os edifícios Misericórdia, Martinelli e Virgínia (maior atração de 2023 do festival, agora com visita guiada ao retrofit), além da Casa Somauma e mais o Edifício Comandante Linneu Gomes, já citado.

No Edifício Misericórdia, de 14 a 24 de março (segunda a sábado, das 12h às 22h, e aos domingos, das 12h às 20h), os nove andares serão ativados com as mais diversas ocupações artísticas. No 1º andar, tem Café e Bar por Tokyo SP; no 2º, Estúdios Vértices; no 3º, Coletivo Coletores; no 4º, Passagens por Colletivo Design; no 5º, Porto Misericórdia + Sala de Debates e Palestras; no 6º, Feira Preta com curadoria de Bia Vianna; no 7º, Jardim de Absurdos por Gengibrão; no 8º e 9º, Exposição Misericórdia e Algazarra com curadoria de Felipe Morozini. Veja mais detalhes aqui.

Basílio 177

Arte antiga mostra a fachada original, que vai ser preservada, do edifício Basílio 177. À dir., imagem recente do saguão da construção| Imagens: Divulgação

O conceito de retrofit se expande em São Paulo e busca valorizar o passado mantendo a essência da construção, sem deixar de criar novas possibilidades de habitação e vivência nos edifícios. E o Basilio 177 revela este processo de revitalização arquitetônica e urbanística. Originalmente, o prédio projetado pelo escritório Ramos de Azevedo & Severo Villares – um dos mais importantes da virada entre os séculos 19 e 20 – chamava-se Edifício 7 de Abril. Ele foi inaugurado em 1939, abrigando a antiga sede da Companhia Telefônica Brasileira no centro de São Paulo. O lugar, inclusive, sediou a mostra Gabinete Sete na DW! SP 2022.

Agora, os mais de 35 mil m² de área construída estão a cargo do escritório Metro Arquitetos, dirigido por Gustavo Cedroni e Martin Corullon, que projetou 274 apartamentos de diferentes tipologias, distribuídos em três torres, sendo dois retrofits. O projeto prevê também espaços comerciais, áreas de lazer, praça central arborizada, piscina na cobertura, academia, espaço gourmet e coworking. O projeto é realizado pela incorporadora especializada em retrofit Metaforma (@metaformainc), que reverencia o legado do imóvel desde nome do empreendimento: Basilio 177 faz referência ao seu lugar na malha urbana e ressignifica o passado, enquanto propõe inovação ambiental, social e econômica.

Conheça o projeto na DW! SP

Durante a DW! SP 2024, será possível conhecer de perto os detalhes do projeto de retrofit do antigo prédio da Companhia Telefônica Brasileira, com visitas guiadas.

Casarão Doimo

Ambiente da instalação multissensorial Cerne Híbrida com móveis Doimo, luminária Luxion e tapete Decoralle l Foto: João Friederich/ Agência Spaik

O Casarão na Bela Vista, hoje sede do showroom da Doimo, foi construído pela família Benedicto Abdulkader – empresário paulistano proprietário da Abdulkader, Pereira e Cia., uma das primeiras agências Chevrolet e Oldsmobile de São Paulo. Dos anos 1930, o conjunto arquitetônico, a poucas quadras da Avenida Paulista, conta com duas construções e uma área externa. Com uma personalidade ímpar, seu estilo Eclético agrega elementos decorativos Art Déco, além de influências neoclássicas e coloniais.

O casarão foi inteiramente restaurado pela Doimo (@doimobrasil), em um processo especializado que levou dois anos. As características originais foram mantidas, interna e externamente. Destaques para assoalhos, lambris e detalhes nos forros em madeira avermelhada; tacos com padronagem elaborada, bem como partes do piso em mosaicos de pastilhas. Também chamam a atenção as portas e janelas externas feitas de ferro trabalhado e decoradas com vidros coloridos, vitrais e rosáceas. Você pode realizar uma visita virtual aqui.

Portas abertas na DW! SP 2024

O Casarão Doimo (@casaraodoimooficial) está aberto à visitação durante o festival, de 14 a 23 de março, onde o público poderá viver diversas experiências inspiradas no tema Viver Design. Serão diversos lançamentos, palestras, work in progress e outras atividades que misturam arte e design, como a instalação multissensorial Cerne Híbrida – Arte italiana com essência brasileira, assinada por Henos Costa e Victor Romansini. A programação ampla é realizada em parceria com a Decoralle (@decoralle) e a Luxion (@luxion_).

Edifício Renata

Fachada com elementos vazados originais e piscina, do Edifício Renata. Prédio ‘retrofitado’ é a hospedagem oficial da DW! SP 2024 | Foto: Divulgação

Mais um retrofit se destaca no centro de São Paulo: o Edifício Renata Sampaio Ferreira, que teve projeto de restauro e adequação comandado pelo escritório Metro Arquitetos. O prédio, gerenciado pela Tabas (@tabashomes) by Blueground, é a Hospedagem Oficial da DW! SP 2024 (veja todos os detalhes, aqui).

Assim como o Linneu, o Renata tem projeto original assinado pelo arquiteto Oswaldo Bratke, companheiro de profissão de nomes como Rino Levi, Gregori Warchavchik e Jacques Pilon. Por dentro, a antiga estrutura comercial para escritórios passou a abrigar espaços para viver e conviver, com piscina, bar, espaços para lojas pop-up, além de um café e restaurante previstos para 2024. Por fora, o destaque são os elementos vazados da fachada, que funcionam como guarda-corpos e brises, mantendo os interiores mais frescos e a beleza do desenho Modernista.

Curtiu esta imersão na arquitetura, no design e na história de São Paulo? Este é apenas um pequeno recorte de toda a programação que a DW! Semana de Design de São Paulo movimenta entre os dias 14 e 24 de março de 2024, além de ativar uma série de outros espaços interessantes por toda a cidade.

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