A contribuição de designers que imigraram para o Brasil e aqui fizeram seu lar e criações foi o tema escolhido pelo Studio+ (@studiomaismoveis) para a exposição Olhar estrangeiro, alma brasileira – O design nacional pelas mãos imigrantes, durante a DW! SP 2025.
A mostra, que esteve em cartaz na Escola Panamericana, comemora os 25 anos da marca de mobiliário. Os trabalhos de Carlo Hauner (1927-1997), Martin Eisler (1913-1977) e Pedro Useche, cujas trajetórias estão profundamente entrelaçadas à história do mobiliário nacional, são os destaques.
Uma das peças escolhidas é a poltrona Forma, resultado da colaboração entre o Studio+ e o venezuelano Pedro Useche, que celebra o a trajetória de três décadas no país e o legado da Forma. A marca, fundada na década de 1950, em São Paulo, unia um escritório de projetos modernos a um sistema de produção seriada e teve Hauner e Eisler como alguns dos nomes fundamentais.









Um pouco de história
A Forma é uma continuidade da Móveis Artesanal, que nasceu nas instalações fabris do Studio de Arte Palma e da Fábrica de Móveis Pau-Brasil, do curador Pietro Maria Bardi e dos arquitetos Lina Bo Bardi e Giancarlo Palanti. Todos de origem italiana.
O espaço foi adquirido pelos irmãos italianos Carlo e Ernesto Hauner (1931-2002) – Ernesto havia sido desenhista na Arte Palma – para que ali fosse implantado o novo negócio, em paralelo com uma loja à rua Augusta, em São Paulo. Nesse ínterim, o empresário e colecionador de arte alemão Ernesto Wolf (1918-2002) havia convidado o cunhado, o arquiteto austríaco Martin Eisler, que vivia na Argentina, para desenvolver os móveis para sua nova residência.
Era 1953, e as peças seriam produzidas pela Móveis Artesanal. Logo, Wolf se tornaria sócio-investidor da Móveis Artesanal e da Galeria Artesanal, que abria suas portas na Barão de Itapetininga para oferecer mobiliário e arte brasileiros. Eisler se juntaria ao trio e, por um maior apelo comercial para o Brasil moderno que se estabelecia, a Artesanal se tornaria Forma S.A. Móveis e Objetos de Arte, a partir de 1954.
Eisler tornou-se o principal designer e diretor criativo da Forma. Na década de 1960, a empresa traria ao Brasil, sob licença da Knoll International, peças assinadas por nomes que hoje dispensam apresentações, como Eero Saarinen, Florence Knoll, Franco Albini, Harry Bertoia, Lewis Butles e Mies van der Rohe.
O legado
O acervo do Studio+ reúne peças reeditadas dos designers precursores da Forma, Carlo Hauner e Martin Eisler, e dá continuidade ao trabalho iniciado, renovando e trazendo um olhar contemporâneo para a preservação dos clássicos do design brasileiro e internacional.
Na exposição organizada pelo Studio+, houve espaço que privilegiava ainda a nova geração, representada pelo arquiteto Marco Aurélio Benedetti, que assina a curadoria, além de projetos nos quais a imigração fez parte da essência criativa. Benedetti criou duas peças exclusivas para a mostra: os sofás BM e Mapu, este em coautoria com Pedro Useche. Para conhecer o trabalho do Studio+, visite o site da marca.
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