Uma nascente de água brota na instalação audiovisual Ilhas Secas, de Sonia Guggisberg, obra que fala sobre as centenas de rios e córregos canalizados e soterrados na cidade de São Paulo. Em outra instalação, Lucas Bambozzi mostra as cicatrizes deixadas na terra de um morro explorado pela mineração no interior de Minas Gerais, registradas em imagens aéreas. Disseminação Concreta, de André Komatsu, apresenta um homem destroçado, com o corpo feito de pedra. Na exposição Mutualismos, em cartaz na Estar Móveis durante a DW!15, os curadores Fernando Velázquez e Lucas Bambozzi, do coletivo MOOLA, reuniram trabalhos que refletem sobre a dissociação entre humanidade e natureza característica do mundo contemporâneo. Como o ser humano não se vê como parte da natureza, não cuida como deveria do meio ambiente, e o resultado está aí.

As obras de Mutualismos procuram lembrar que, no universo, tudo está interligado e cada ação gera uma consequência. O projeto é inspirado no conceito biológico de mutualismo, que descreve relações nas quais organismos coexistem em benefício mútuo. Uma das principais intenções da mostra é questionar os modelos civilizatórios baseados na exploração da natureza sem critério nem visão de futuro, como se o planeta nunca se esgotasse. Os curadores também buscam ressaltar as redes de interdependência que estruturam a vida contemporânea, investigando relações entre natureza, tecnologia, matéria e ambiente.
“Quando Ailton Krenak fala da Terra como parente, traduz em experiência o que esses pensamentos sugerem: viver é estar implicado – uma trama de mutualismos onde cada respiração já é relação”, os dois escrevem no texto curatorial.

A exposição reúne quinze artistas e coletivos de projeção internacional e trajetória consolidada: Albano Afonso, André Komatsu, Eder Santos, Felipe Julián (Craca), Fernando Velázquez, Francis Alÿs, Lea van Steen e Raquel Kogan, Luanna Jimenes, Lucas Bambozzi, MOOLA + Fabio Riff, Monica Ventura, (se)cura humana e Sonia Guggisberg. Entre as obras, há instalações, vídeos, pinturas e dispositivos sonoros. Vistas em conjunto, elas funcionam como um provocação a imaginar mundos em que natureza e humanidade não se opõem. “A biosfera é entrelaçamento, interdependência, intercâmbio e cooperação”, sintetizam os curadores.
Visite até 14 de março.
Estar Móveis
Al. Gabriel Monteiro da Silva, 1080
De seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 10h às 16h